sábado, 7 de novembro de 2009



imediatamente para casa, louca para contar à mãe que havia descoberto o que era o amor.
- Que bobagem! – foi a resposta fria que escutou. – As estrelas não foram feitas para
que as mariposas possam voar em torno delas. Procure um poste ou um abajour, e se apaixone por
algo assim; para isso nós fomos criadas.
Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe, e
permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta. "Que maravilha poder sonhar!" pensava. Na
noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar, e ela decidiu que iria subir até o céu, voar em
torno daquela luz radiante, e demostrar seu amor.
Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu
subir alguns metros acima do seu vôo normal. Entendeu que, se cada dia progredisse um
pouquinho, iria terminar chegando na estrela, então armou-se de paciência e começou a tentar
vencer a distância que a separava de seu amor. Esperava com ansiedade que a noite descesse, e
quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.
Sua mãe ficava cada vez mais furiosa:
- Estou muito decepcionada com a minha filha – dizia. – Todas as suas irmãs, primas
e sobrinhas já tem lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpadas! Só o calor de uma
lâmpada é capaz de aquecer o coração de uma mariposa; voce devia deixar de lado estes sonhos
inúteis, e arranjar um amor que possa atingir.
A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de
casa. Mas, no fundo – como, aliás, sempre acontece – ficou marcada pelas palavras da mãe, e achou
que ela tinha razão.
Por algum tempo, tentou esquecer a estrela e apaixonar-se pela luz dos abajoures de
casas suntuosas, pelas luminárias que mostravam as cores de quadros magníficos, pelo fogo das
velas que queimavam nas mais belas catedrais do mundo. Mas seu coração não conseguia esquecer
a estrela, e depois de ver que a vida sem o seu verdadeiro amor não tinha sentido, resolveu retomar
sua caminhada em direção ao céu.
Noite após noite, tentava voar o mais alto possível, mas quando a manhã chegava,
estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza. Entretanto, a medida que ia ficando
mais velha, passou a prestar atenção em tudo que via à sua volta. Lá do alto, podia enxergar as
cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas, irmãs e sobrinhas já tinham encontrado
um amor. Via as montanhas geladas, os oceanos com ondas gigantescas, as nuvens que mudavam
de forma a cada minuto. A mariposa começou a amar cada vez mais sua estrela, porque era ela
quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.
Muito tempo se passou, em um belo dia ela resolveu voltar à sua casa. Foi então que
soube pelos vizinhos que sua mãe, suas irmãs, primas e sobrinhas , e todas as mariposas que havia
conhecido, já tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruidas pelo
amor que julgavam fácil.
A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos
ainda, descobrindo toda noite algo diferente e interessante. E compreendendo que, as vezes, os
amores impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios, que aqueles que estão ao alcance de
nossas mãos.

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